O Prêmio Empreendedorismo Sustentável premiou os três melhores projetos dos estudantes de graduação e pós-graduação de nove das universidades federais da região Norte do Brasil. Dentre mais 180 projetos e 18 finalistas, chamaram a atenção da banca examinadora, liderada pela UniSol, pelo ineditismo e potencial impacto das propostas. Cada um recebeu respectivamente R$ 50 mil, R$ 30mil e R$ 15 mil, pelo primeiro, segundo e terceiro colocados, além de prêmios extras que totalizaram R$100 mil reais.

         Os ganhadores, por ordem de classificação, foram: Edkeyse Dias Gonçalves,  Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), com o Projeto Web Resíduo Tecnológico - WRT; Caio Eduardo de Moura Murtinho, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), com o ReGar Amazônia: A reutilização de garrafas PET em sacolas ecológicas e Hermes Apoena Barreiros da Silva, também da UFRA, com o projeto Empreendedorismo Feminino na Cadeia de Valor do Caranguejo - Uçá no estado do Pará.

         Todos os projetos foram avaliados pela Unisol – Universidade Solidária. “Ficamos muito satisfeitos com a primeira edição do Prêmio. Os projetos foram muito criativos e superaram nossas expectativas. Acreditamos que, vencedores ou não, eles estimulam a cultura empreendedora com ênfase na geração de renda e preservação do meio ambiente, beneficiando toda a sociedade do entorno”, afirma Jamil Hannouche, diretor do Santander Universidades Brasil.

         O prêmio faz parte do Programa Amazônia 2020, uma iniciativa do Santander Universidades Brasil. Lançado em 2010, trata-se de uma iniciativa única de apoio às nove universidades federais da região Norte. Além do prêmio, a parceria também contempla a realização de nove seminários internacionais na região, concessão de mais de 26 mil bolsas de estudos a alunos e professores e inauguração de nove novos Espaços Digitais. Ainda estão previstas mais quatro edições do prêmio até 2020.

 

Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/santander-premia-tres-projetos-sobre-empreendedorismo-sustentavel-na-amazonia

 

 

O empreendedor na sala de aula

Fonte: Carta Capital

 Observar a realidade além dos muros das faculdades pode transformar as formas de trabalho e de produção de comunidades periféricas. Ao visitar a cooperativa de catadores de garrafas PET em seu bairro na cidade de Belém, no Pará, Edkeyse Gonçalves, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), deparou-se com uma montanha de produtos eletrônicos que os cooperados não conseguiam dar um destino final. Era lixo trazido por moradores e até por instituições públicas. "O diretor da cooperativa me disse que não sabia como vender, apesar de ter conhecimento de que havia empresas compradoras", diz a estudante de engenharia ambiental. A moça de 30 anos ficou surpresa ao descobrir a inexistência de iniciativas para desenvolver a venda de lixo eletrônico para locais distantes das empresas produtoras.

 Edkeyse teve então a ideia de conectar os vendedores e compradores do resíduo em um mercado online, uma forma de romper a barreira da distância. "O objetivo é trazer o lixo tecnológico para dentro da internet", explica. O projeto prevê um site responsável pelo cadastro de cooperativas e das empresas interessadas na compra dos resíduos e pela promoção do comércio em formato de leilão. O site ficaria com 50% da receita da venda, como forma de financiar o gerenciamento do sistema e a capacitação dos catadores. O projeto piloto a ser realizado com uma cooperativa de 80 catadores em Belém foi considerado o melhor no Prêmio Santander Universidades, entregue na terça-feira, 6, em Manaus.

 Os 50 mil reais de premiação vão impulsionar o empreendimento e mudar a vida da estudante, que desde os 12 anos ganha a vida como feirante. "Conforme der certo, o projeto deve se expandir, com outras cooperativas cadastradas", acredita a vencedora.

 A comunidade foco do projeto premiado em segundo lugar, com 30 mil reais, do estudante Caio Eduardo Murtinho, tira o sustento no lixão de Santarém, um dos maiores do Pará. Segundo levantamento do aluno da Universidade Federal do Oeste do Pará, há famílias de 12 a 14 indivíduos que subsistem com 40 reais por mês sob condições de trabalho insalubre. "A intenção é formalizar uma cooperativa de catadores, para que eles se profissionalizem e consigam uma renda mensal maior", diz Murtinho. Com a nova organização, que permitiria o manejo do lixo por adultos com o uso de materiais de proteção pessoal, o projeto mira a produção de sacolas plásticas a partir das garrafas PET coletadas no lixão.

O terceiro projeto, premiado com 15 mil reais, busca recuperar a atividade produtiva dos vendedores de caranguejo-uçá na cidade paraense de Bragança, por meio da valorização do trabalho das mulheres. A retirada da carne de dentro da casca do crustáceo era feita pela comunidade local de uma maneira pouco convencional: com a boca. Há cerca de cinco anos, a prática foi proibida pelas autoridades sanitárias e o governo estadual publicou uma instrução normativa que regulamenta a atividade e concede um selo de qualidade ao produto. Desde então, a comunidade de Bragança viu seu negócio minguar por não conseguir adaptar-se às novas condições.

Uma forma de trazer as famílias de volta ao mercado seria por meio da construção de um galpão com áreas adequadas para a atividade e a capacitação dos trabalhadores. As medidas, elaboradas no projeto apresentado por Hermes da Silva, estudante de engenharia da pesca da Ufra, mesma universidade de Edkeyse, permitiriam ao grupo de trabalhadores obter o selo de qualidade para o produto, ao mesmo tempo que o trabalho das mulheres, maioria no beneficiamento de caranguejos, seria valorizado. "Há a possibilidade de os trabalhadores melhorarem muito o seu orçamento com essas mudanças, mas ainda seria preciso passar pela barreira do preconceito contra o consumo da carne de caranguejo da região", diz Silva.

O projeto piloto deve ser implantado em um galpão com capacidade para atender 30 famílias de Bragança. "Queremos levar o Estado a prestar atenção nessa experiência e incentivar a iniciativa", torce o estudante de 25 anos.

Os prêmios concedidos aos três alunos fazem parte do programa Amazônia 2020, do Santander Universidades, que possui 442 parcerias com instituições brasileiras de ensino superior. O terceiro maior banco privado do País é líder no segmento universitário, segundo o diretor Jamil Hannouche. A instituição valoriza esse mercado. "De 2011 a 2015, vamos investir 150 milhões de reais no Brasil em programas relacionados às universidades", afirma Hannouche.